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Artigo · Solar térmica

Aquecimento solar de alta temperatura: quando entram os tubos a vácuo

Redação Consultor Solar · Atualizado em · Próxima revisão até 09/01/2027

Coletor de tubos a vácuo ao lado de um reservatório industrial alto, com um fio de vapor subindo.
Ilustração do Consultor Solar, gerada com IA (Higgsfield); não representa produto nem marca real.

Quando o aquecimento solar de água precisa de temperaturas mais altas e de tubos a vácuo?

Quanto mais quente a água precisa ficar em relação ao ar, mais calor o coletor perde, e o coletor de placa plana rende cada vez menos. Os tubos a vácuo têm vácuo entre o vidro e o absorvedor, o que elimina a perda por condução e por convecção, e por isso são indicados para temperaturas mais altas, clima frio e pouca radiação. Aparecem em processos industriais, em reaquecimento de água de recirculação e em refrigeração por absorção.

Em poucas palavras

Água de banho e de piscina não precisa de muito calor. Alguns usos precisam: lavagem de peças, processos industriais, reaquecimento de água de prédios e até refrigeração por absorção. Nessas faixas, o coletor de placa plana perde calor demais para o ambiente, e entram os tubos a vácuo. Para a visão geral dos tipos, veja coletor solar.

Por que a temperatura alta é um problema

O calor útil do coletor é o que ele absorve do sol menos o que perde para o ar, e essa perda cresce com a diferença de temperatura entre a água e o ambiente. O NREL resume a eficiência como uma reta que cai à medida que essa diferença aumenta. O estudo do programa de aquecimento solar da Agência Internacional de Energia ilustra com quatro coletores ensaiados: o de placa plana tinha coeficiente de perda de 3,104 W/m²K e o de tubos a vácuo, 2,824 W/m²K, com rendimento óptico de 0,791 e 0,821. São dois modelos de ensaio, não valores típicos, mas mostram a direção: o tubo perde menos calor, e a vantagem aparece quanto maior a diferença de temperatura.

O que os tubos a vácuo fazem

O guia do Departamento de Energia dos EUA (DOE) descreve fileiras de tubos de vidro, cada um com um tubo externo de vidro e um tubo absorvedor de metal preso a uma aleta com revestimento seletivo. O ar é retirado do espaço entre eles, formando vácuo, o que elimina a perda por condução e por convecção. Segundo o NREL, o calor sai do tubo por um heat pipe: um fluido evapora numa ponta e condensa na outra, e hoje se usa água deionizada. A extremidade quente é presa a uma tubulação coletora (manifold) que aquece a água de consumo ou um fluido anticongelante que circula até um trocador de calor.

Outras características citadas no webinar:

  • os tubos são leves e podem ser levados ao telhado um a um, muitas vezes sem guindaste, ao contrário das placas planas, que podem exigir um;
  • o vento passa entre os tubos, o que reduz a carga de vento;
  • a produção é mais uniforme ao longo do dia, embora menor ao meio-dia que a da placa plana;
  • são muito usados na Alemanha, onde o NREL diz que o lugar mais ensolarado é mais nublado que o mais nublado dos EUA, e na Ásia;
  • o DOE observa que, nos EUA, os sistemas de tubos a vácuo são usados com mais frequência em aplicações comerciais.

Onde são usados

O NREL recomenda os tubos para três situações: temperaturas mais altas do que a placa plana alcança com eficiência, clima frio e baixa radiação. Os exemplos do webinar incluem refrigeração por absorção, processos industriais como a lavagem de vidraria a 180 °F (cerca de 82 °C) e o reaquecimento de água de recirculação de um hospital (grandes volumes). Para temperaturas ainda mais altas, o palestrante cita o tubo no foco de um espelho em calha parabólica, associado ao calor de processo industrial (indústria e agro).

Cuidados

  • Segurança no ponto de uso: o NREL trata a válvula misturadora como dispositivo de segurança, e o limite de temperatura do reservatório pode vir de fábrica ajustado em 180 °F, valor que o próprio palestrante reduz em casa por causa de crianças.
  • Superaquecimento: um coletor seco e parado ao sol chega a cerca de 400 °F (cerca de 204 °C), segundo o webinar, e os materiais são projetados para suportá-lo. A válvula de alívio de pressão é item de segurança, não de controle; o tanque de drenagem (drainback) é uma saída para proteger o sistema.
  • Dimensionamento: parte da carga de água quente e da irradiação local (calculadora de aquecimento solar); o NREL sugere pensar na carga do mês de maior radiação para não superdimensionar.

O que o portal não afirma

As tabelas do Inmetro de coletores cobrem as aplicações de banho e de piscina. O portal não tem tabela nem fonte própria para coletores de temperatura de processo mais alta e não compara custo entre tipos. O projeto segue a ABNT NBR 15569 e as normas aplicáveis à instalação, e deve ser feito por profissional habilitado.

Perguntas frequentes

Tubos a vácuo servem para qualquer clima?

O webinar do NREL os recomenda sobretudo para temperaturas mais altas, clima frio e pouca radiação. Para a água de uso doméstico, o mesmo palestrante diz que a placa plana atende quase toda aplicação, com custo já baixo. A escolha depende da temperatura exigida e do projeto.

Água em temperatura mais alta exige cuidados de segurança?

Exige. O webinar do NREL destaca a válvula misturadora, que limita a temperatura que chega a chuveiros e banheiras, o limite de temperatura no reservatório, que desliga as bombas, e a válvula de alívio de pressão, que é um dispositivo de segurança. O projeto também deve prever o que acontece se o consumo parar.

Leia também

Termos desta página

  • EnciclopédiaColetor solar

    Equipamento que absorve a radiação do sol e transfere o calor para a água (ou outro fluido) que circula por ele. É a peça central do aquecimento solar e não gera eletricidade.

  • EnciclopédiaIrradiação solar

    Energia da radiação do sol que chega a uma superfície num período, em kWh/m² por dia ou por ano. Irradiância é a potência instantânea, em W/m²; irradiação é o acumulado no tempo.

Fontes

  1. Solar Water Heating — webinar (16/11/2010), transcrição — U.S. Department of Energy / NREL. Consultado em 09/10/2026.
  2. A Consumer's Guide: Heat Your Water with the Sun — U.S. Department of Energy (EERE). Consultado em 09/10/2026.
  3. Performance of solar collectors under low temperature conditions (Bunea et al., 2012) — IEA SHC. Consultado em 09/10/2026.