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Artigo · Solar fotovoltaica

Painéis solares flexíveis e de filme fino: o que são e onde se encaixam

Redação Consultor Solar · Atualizado em · Próxima revisão até 09/01/2027

Lâmina fotovoltaica curvada sobre um teto arredondado e uma placa plana de filme fino.
Ilustração do Consultor Solar, gerada com IA (Higgsfield); não representa produto nem marca real.

O que são painéis solares flexíveis e de filme fino?

Filme fino é uma tecnologia de célula feita com camadas semicondutoras de poucos micrômetros depositadas sobre vidro, plástico ou metal. Flexível é um tipo de módulo que se curva até um raio de 500 mm ou menos. Os dois termos se cruzam, mas não são sinônimos: segundo o Fraunhofer ISE, o filme fino responde por 2% a 3% da produção mundial.

Duas ideias diferentes

“Filme fino” e “flexível” costumam aparecer juntos, mas respondem a perguntas diferentes. Filme fino diz de que é feita a célula. Flexível diz como é o módulo. A Portaria Inmetro nº 140/2022 mantém as duas coisas em listas separadas: de um lado as tecnologias (silício, filmes finos, híbrida); de outro os tipos rígido, flexível ou semiflexível. Há, portanto, módulos flexíveis de filme fino e outras combinações previstas na norma.

Filme fino

Nas células de filme fino, uma ou mais camadas do material fotovoltaico são depositadas sobre um suporte, como vidro, plástico ou metal, segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos. O Manual de Engenharia do CEPEL/CRESESB acrescenta que as camadas têm poucos micrômetros e que, diferentemente do silício cristalino, em que se faz primeiro a lâmina, depois a célula e por fim o módulo, nos filmes finos o processo é integrado. As células não ficam restritas ao formato quadrilátero do silício e podem cobrir superfícies amplas ou flexíveis.

Os materiais citados são o silício amorfo hidrogenado (a-Si:H), o CIS/CIGS (cobre, índio, gálio e selênio) e o telureto de cádmio (CdTe). O Departamento de Energia chama o CdTe de segundo material mais comum depois do silício, com eficiência ainda abaixo da do silício, e aponta que o CIGS tem alta eficiência em laboratório, mas é mais difícil de fabricar. Os dois, segundo o órgão, exigem mais proteção que o silício para durar ao ar livre.

Números das fontes

Item Valor Fonte
Participação do filme fino na produção mundial entre 2% e 3% Fraunhofer ISE, 2026
Recorde de laboratório, célula CIGS 23,4% Fraunhofer ISE, 2026
Recorde de laboratório, célula CdTe 21,0% Fraunhofer ISE, 2026
Módulo de CdTe, evolução em uma década de 15,6% a quase 20% Fraunhofer ISE, 2026
Potência por área: a-Si, CIGS, CdTe 85, 100 e 110 Wp/m² (monocristalino: 150) CEPEL/CRESESB, 2014
Coeficiente de temperatura da potência cerca de −0,3%/°C no a-Si e −0,5%/°C no silício cristalino (valores típicos) CEPEL/CRESESB, 2014

O relatório do Fraunhofer ISE observa que, na conta do filme fino, considera apenas um fabricante. Os valores do manual são de 2014 e servem para mostrar a lógica: menor potência por área exige mais área para a mesma potência, mas o coeficiente de temperatura mais baixo reduz a perda com calor. O manual recomenda considerar todos os componentes (estruturas, proteção, cabeamento), porque a vantagem de custo do filme fino pode desaparecer. Ele também alerta que módulos de a-Si:H podem ter nos primeiros meses potência real de 115% a 130% da nominal, e que os inversores devem ser dimensionados para isso. O valor real de cada modelo está na ficha técnica.

Módulo flexível

A Portaria define módulo flexível como o que exibe raio de curvatura de 500 mm ou menos em ao menos uma direção, segundo as especificações do fabricante, e consegue se dobrar para se conformar a uma superfície plana ou curva. A flexibilidade serve a superfícies curvas e à arquitetura. O manual relata, como exemplo, uma planta-piloto em Florianópolis, em operação desde fevereiro de 2009, com painel curvo de módulos flexíveis de filme fino. Veja também a integração à edificação (BIPV).

O que fica fora do registro do Inmetro

A Portaria exclui os módulos de potência inferior a 5 Wp, os de aplicações de mobilidade (produtos portáteis, veículos, entre outros), os que compõem produtos de consumo e os de células de terceira geração (orgânicas, perovskita, multijunção, entre outras). O Departamento de Energia descreve as células orgânicas, que podem ser aplicadas sobre plástico flexível, como cerca de metade tão eficientes quanto as de silício cristalino e com vida operacional menor, e diz que as de perovskita precisam resistir a 20 anos ao ar livre para serem comercialmente viáveis. Os módulos de silício, de filmes finos (a-Si, CdTe, CIS/CIGS) ou híbridos de 5 Wp ou mais, mesmo flexíveis, estão dentro da norma. Veja registro e etiqueta.

Limitações

As fontes consultadas não trazem vida útil nem custo de módulos flexíveis atuais, e o portal não publica esses dados sem fonte. Para ver as demais tecnologias, consulte os tipos de painel solar.

Perguntas frequentes

Painel flexível é o mesmo que painel de filme fino?

Não. Flexível é uma característica do módulo, definida pela Portaria Inmetro nº 140/2022 como o que tem raio de curvatura de 500 mm ou menos em ao menos uma direção. Filme fino é a tecnologia da célula. A portaria lista os tipos rígido, flexível e semiflexível separadamente das tecnologias de célula.

O painel flexível portátil precisa de registro no Inmetro?

A Portaria nº 140/2022 exclui os módulos de potência nominal inferior a 5 Wp, os destinados a aplicações de mobilidade (produtos portáteis, veículos, entre outros) e os que alimentam produtos de consumo diretamente. Um módulo flexível de 5 Wp ou mais para sistema fotovoltaico está dentro do alcance da norma.

Leia também

Termos desta página

  • EnciclopédiaCélula fotovoltaica

    A unidade que converte luz em eletricidade: uma lâmina de semicondutor, quase sempre silício, com um campo elétrico interno que põe em movimento as cargas liberadas pela luz. Dezenas de células ligadas formam um módulo.

  • EnciclopédiaEficiência do módulo

    Fração da irradiação que chega ao módulo e é convertida em eletricidade, medida em condições padrão de teste. Define quanta potência cabe em cada metro quadrado.

  • EnciclopédiaMódulo fotovoltaico

    Equipamento formado por células semicondutoras ligadas entre si que converte a luz do sol diretamente em eletricidade em corrente contínua. É o que se chama, no dia a dia, de painel ou placa solar fotovoltaica.

Fontes

  1. Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014) — CEPEL/CRESESB. Consultado em 09/10/2026.
  2. Solar Photovoltaic Cell Basics — U.S. Department of Energy. Consultado em 09/10/2026.
  3. Photovoltaics Report (2026) — Fraunhofer ISE. Consultado em 09/10/2026.
  4. Portaria Inmetro nº 140, de 21 de março de 2022 — sistemas e equipamentos para energia fotovoltaica — Inmetro. Consultado em 09/10/2026.